Itaú Corretora

O design que envelheceu bem: como o Itaú Corretora virou referência de usabilidade

Itaú Corretora

Data

Cliente

Banco Itaú

Minha atuação

  • UX Design

  • Branding

  • UI Design 

  • Design System 

  • Pesquisa com Usuários

  • Mercado Financeiro

Introdução

O Itaú Corretora precisava de um app à altura da sua base de investidores: moderno, confiável e capaz de competir com plataformas profissionais. Como UX/UI Designer liderando o redesign, integrei estratégia, pesquisa e design de interface para reconstruir a experiência de ponta a ponta, tornando cada ação de investimento mais clara, mais rápida e mais confiável.


Este case conta como uma frase dita por um investidor mudou o rumo do projeto, e como as decisões que tomamos em 2015 anteciparam padrões que o mercado só consolidaria anos depois.


O ponto de partida (e o primeiro erro)

Começamos pelo caminho mais óbvio: usar uma das marcas mais reconhecidas do mundo. A primeira proposta seguia à risca o visual institucional do Itaú — tons de laranja, ícones grandes, cores vibrantes.


Bastaram as primeiras conversas com usuários para percebermos que esse não era o caminho.


Uma única frase mudou o projeto inteiro:

“Isso parece um aplicativo de criança”


Quem disse isso foi um investidor experiente, acostumado a operar em plataformas como Bloomberg e Home Broker. E ele tinha razão.

Investir é um exercício de tomada de decisão, leitura e precisão — e a linguagem visual daquele protótipo não comunicava nada disso. Naquele momento, o papel do design deixou de ser "seguir o manual da marca" e passou a ser construir confiança.


Redefinindo o problema

A maior lição deste projeto foi entender que design não é manter uma identidade, é traduzi-la.

Traduzir a identidade do Itaú para o universo dos investimentos significava repensar a linguagem visual, a arquitetura de informação e até a densidade de elementos em tela.


O novo objetivo ficou claro:

"O investidor precisa sentir que está no Itaú — mas operando em uma plataforma profissional de investimentos."


Isso nos levou a repensar a experiência inteira:

  • Redesenhamos os fluxos de navegação e a arquitetura de informação, eliminando cliques desnecessários e encurtando o caminho até a decisão.

  • Criamos gráficos interativos e responsivos, com visual limpo e centrado nos dados — a informação como protagonista, não a decoração.

  • Desenvolvemos mais de 250 ícones customizados, em colaboração com o time de design gráfico do Itaú e a Ana Couto Branding.

  • E, principalmente, introduzimos uma linguagem de interface escura, focada em legibilidade de dados e concentração do usuário — algo raríssimo em 2015.



Antes do DesignOps ter nome


Hoje chamamos de DesignOps. Na época, era só trabalho em equipe e determinação.


Foram mais de 16 áreas envolvidas, 450 wireframes, 150 horas de teste e mais de 800 explorações de layout. Trabalhamos em ciclos curtos, validando cada decisão com usuários reais e stakeholders de negócio. Os testes incluíam investidores de todos os perfis — de traders experientes a pessoas que nunca haviam comprado uma ação.


A cada sprint, refinávamos microinterações e testávamos hipóteses sobre contraste de cores, densidade de informação, feedback visual e acessibilidade. Estávamos aprendendo o tempo todo — e, sem saber, aplicando práticas que anos depois se tornariam padrão de mercado em UX.


*Em 2015, pouquíssimos bancos brasileiros aplicavam testes com usuários em produtos financeiros. Segundo o estudo "UX in Banking: Global Benchmark 2015", do Nielsen Norman Group, apenas 28% das instituições testavam usabilidade com clientes antes do lançamento.


Form follows function: uma identidade entre clareza e emoção

A nova identidade visual nasceu do equilíbrio entre rigor funcional e personalidade de marca:

  • A paleta escura trouxe o foco para os dados, enquanto o laranja característico do Itaú preservou a familiaridade com a marca.

  • Verde e vermelho foram calibrados para leitura rápida de variações — intuitivos, sem ruído visual.

  • A tipografia Roboto, recém-introduzida no Android, garantiu legibilidade e consistência entre plataformas.

O resultado foi um design funcional, elegante e acessível — antes mesmo de "dark mode" virar tendência.


*Curiosidade: o dark mode só se popularizou no iOS em 2018 e no Android em 2019 (Google Design, 2019). Nós chegamos lá quatro anos antes — não por estética, mas por função.


O impacto


Na época, o Itaú Corretora se destacou por entregar uma experiência intuitiva e fluida, algo incomum no setor financeiro. Os gráficos comparativos, as telas simplificadas e o uso inteligente de cor transformaram o app em benchmark interno de excelência em usabilidade.


O mais interessante é olhar para os apps de investimento de hoje — do Nubank à XP — e reconhecer os mesmos princípios aplicados:

  • Alto contraste e foco nos dados;

  • Microinterações sutis e funcionais;

  • Dark UI como símbolo de profissionalismo.

A diferença é que, em 2015, tudo isso ainda era experimental.


2015 x 2025 — o design que resistiu ao tempo


Tema

2015

2026

Design System

Quase inexistente

Fundamental

User Research

Presencial e pontual

Remota e contínua

Mobile Banking

Secundário

Núcleo do ecossistema

Dark UI

Arriscado

Padrão

Acessibilidade

Pouco discutida

Prioridade


O que mais me orgulha é perceber que, mesmo depois de toda essa evolução, o Itaú Corretora envelheceu com elegância. As decisões que tomamos lá atrás — fundamentadas em pesquisa, empatia e clareza — continuam fazendo sentido hoje.

*Segundo o Digital Experience Survey da McKinsey (2024), empresas que amadurecem suas práticas de UX aumentam o engajamento digital em média 33% e reduzem o tempo de conversão em produtos financeiros em 25%.


Aprendizados

Este projeto me ensinou que design é escuta e tradução. Que estética sem propósito é apenas ruído. E que o melhor design é aquele que muda a percepção do cliente sobre o produto e sobre si mesmo.


*No início, o Itaú queria um app com a cara do banco. No final, o banco ganhou um app com a cara dos seus investidores.


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Resultados

Como consequência direta das melhorias de usabilidade e arquitetura de informação, o projeto alcançou resultados expressivos:

Indicador

Antes do Redesign

Depois do Redesign

Variação

Taxa de conclusão de compra/venda de ações

61%

89%

+46%

Tempo médio para executar uma operação

2min 40s

1min 10s

-56%

Satisfação geral do usuário (NPS interno)

54

82

+28 pts

Taxa de erro no fluxo de cadastro

17%

5%

-70%


Bons designs não envelhecem.
Eles evoluem sem perder o propósito.

👋


+46%

aumento na conclusão de pedidos

–56%

redução no tempo de execução

–70%

menos erros em fluxos críticos

Project Sneakpeek 3
Project sneakpeek 1
Project Sneakpeek 2